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8 de julho de 2016

Indústria Têxtil demite 430 Trabalhadores em Paulista

Desligamentos aconteceram na fábrica da Santista na manhã da quinta-feira(7). Empresa anunciou o fim de suas operações no município

Os cerca de 430 trabalhadores desligados da indústria de tecidos Santista, localizada na BR-101, em Paulista, foram reunidos no pátio da empresa para receber a notícia de demissão coletiva na manhã da última quinta-feira (7). De acordo com o Sindicato dos Tecelões de Paulista, Abreu e Lima e Igarassu, representativo da categoria, a multinacional está fechando as portas graças à atual crise econômica, que levou ao desaquecimento do setor têxtil e queda de vendas da fábrica. Ainda segundo a categoria, a notícia surpreendeu a todos, pois não houve diálogo da Santista com as entidades sindicais. Em junho deste ano, a empresa já havia fechado outra unidade no Nordeste, localizada em Sergipe.

“A empresa fechada em Sergipe era um dos braços da indústria aqui em Paulista. Então os negócios se enfraqueceram muito”, comenta o presidente do sindicato Herman Francisco da Penha. De acordo com o sindicato, a categoria se encontrava em plena campanha salarial desde o primeiro dia de julho deste ano, e nem imaginava que demissões pudessem ocorrer. “Não houve diálogo, quando a decisão já estava tomada, vieram dois advogados aqui avisar que a fábrica ia fechar e todos os funcionários iam ser demitidos”, pontuou.

A Indústria têxtil foi uma das que mais sofreu no mês de maio em Pernambuco, com 26,5% de queda na produção. Os dados são da pesquisa de atividade da indústria, divulgada pelo nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Uma das funcionárias demitidas foi a tecelã Rosineide Bezerra, que trabalhava há quase seis anos na empresa. Ela conta que todos os funcionários estavam voltando de um período de férias coletivos de dez dias, quando a empresa entrou em contato com seus colaboradores e pediu que toda a equipe da fábrica chegasse às 7h da manhã na quinta-feira. “Eles disseram que ia ter um café da manhã para a gente. Aí todos compareceram. Tomamos café normal e montaram um painel dentro da fábrica para explicar para a gente. O gerente foi direto, disse que a qualidade de produção estava caindo, e a fábrica tinha custos muito altos, principalmente de energia”, comenta.

Ainda de acordo com a tecelã, os funcionários ficaram chocados e demonstraram extrema tristeza. “Tinha gente passando mal, foi muito choro. A gente nem acredita, né? São pessoas com quem a gente convive, tem quem passou a vida inteira lá, e a empresa chega e diz que vai encerrar as atividades. Estamos em choque”, afirma.

A Santista se posicionou através de nota à imprensa:

“Em razão da forte queda nas vendas do mercado de vestuário profissional, provocada pela crise financeira e econômica que atinge o Brasil, a ociosidade nas linhas de produção da fábrica de Paulista (PE) alcançou nível insustentável. Esgotadas as alternativas para manutenção das atividades, a empresa está obrigada a encerrar a produção nesta unidade a partir desta data. Os trabalhos desenvolvidos no local serão transferidos para a unidade de Americana (SP). A Santista está tomando todas as medidas cabíveis para apoiar seus profissionais.”

Com JC Online

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