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21 de agosto de 2016

Bebês com microcefalia respondem bem a tratamento com botox


A manhã da sexta-feira (19) foi de novidade para os bebês Joanderson Belo e Maria Isabela Amorim, de oito e dez meses de idade. Ambas com microcefalia, as crianças foram submetidas pela primeira vez a aplicações de botox, na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), no Recife. O procedimento é novo para os dois bebês, mas já é pioneiramente utilizado na unidade há pelo menos quatro meses e os primeiros pacientes já têm apresentado respostas positivas.

De acordo com o ortopedista pediátrico Epitácio Leite, responsável pela aplicação da toxina nos bebês, a substância é usada em crianças que têm a malformação e que desenvolvem complicações ortopédicas ao longo dos meses de vida.

“São os bebês que têm a musculatura rígida e por isso têm dificuldades para movimentar as articulações dos braços e das pernas”, exemplifica. Até agora, 15 pequenos já passaram pelo processo e já apresentaram mais flexibilidade nos movimentos.

“Eu costumo registrar as crianças antes e depois da aplicação para comparar e já é possível perceber a diferença na musculatura do quadril e nos braços”, comenta Leite. Além de melhorar a flexibilidade das articulações dos bebês, o botox também tem o objetivo de tentar diminuir as medicações usadas pelas crianças. “Com as articulações mais flexíveis, a tendência é que os espasmos diminuam e, consequentemente, diminui também o uso de medicamentos para combatê-los”, esclarece o médico.

Um dos autores da pesquisa que ligou o vírus da zika à deformidade nas articulações, Epitácio Leite explica que a aplicação do botox não é feita nas crianças diagnosticadas com artrogripose, complicação desenvolvida ainda durante a gestação que também dificulta a flexibilidade das articulações. “Depois de avaliações, estamos aplicando somente nas crianças com hipertonia, condição de rigidez dos músculos que pode surgir após o nascimento”, explica o ortopedista.

Tratamento

Na primeira injeção, Maria Isabela não segurou o grito e as lágrimas. A mãe, Andresa Silva, consolava a filha, dando-lhe beijos na cabeça. “A gente fica de coração apertado por ver o incômodo, mas eu sei que é para o bem dela”, comenta, aliviada. Durando menos de cinco minutos, a aplicação foi feita após uma avaliação prévia das articulações da criança e deve apresentar os primeiros efeitos entre dois e 30 dias. 

Do Portal G1/Pernambuco

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