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30 de setembro de 2018

Pesquisa Eleitoral. Por que eu nunca fui entrevistado, nem conheço alguém que foi?

As pesquisas de intenção de votos são produtos de um campo do conhecimento chamado de Estatística, que é uma área ampla e consolidada, empregada para os mais diferentes fins, seja comercial, científico ou mesmo eleitoral, como é o caso. Como o processo eleitoral mexe com as emoções, é frequente encontrarmos questionamentos quanto a eficiência dessa ferramenta e o argumento apresentado, via de regra, é: Não conheço ninguém que foi entrevistado para uma pesquisa eleitoral!


As pesquisas utilizam uma metodologia científica que emprega dados do censo eleitoral brasileiro, considerando as mais diferentes variáveis, como população (com direito a voto) de cada unidade da federação (os estados e as macrorregiões de cada estado), faixa etária dos eleitores, renda familiar, escolaridade, sexo, entre outras variáveis... No nosso dia-a-dia, utilizamos alguns conceitos empregados na Estatística, com a média (aritmética). Exemplo, a nota média dos estudantes de uma turma foi 8,0 (oito). Isso não significa que todos os estudantes obtiveram nota 8,0, mas que a soma de todas as notas dividida pelo número de estudantes é igual a 8,0. Em outras palavras, a média não é uma boa medida para representar a distribuição de notas da turma, pois podemos ter estudantes com nota 10,0 (dez) e estudantes com nota 0,0 (zero) e, mesmo assim, a média da turma ser 8,0. Então, no caso das pesquisas eleitorais, utiliza-se o conceito de distribuição normal. Aqui, considera-se o quanto os valores individuais (as notas dos estudantes, no nosso exemplo) diferem do valor médio. O nome disso é desvio-padrão. Quando menor o desvio-padrão, melhor a média representa o todo. Numa distribuição normal, a média é considerada usando o desvio-padrão (Média ± desvio padrão). Se considerarmos o intervalo (Valor médio ± 2 vezes o desvio padrão) teremos um intervalo de confiança de 95%. Ou seja, se verificarmos o universo a ser considerado, temos 95% de certeza (confiança) que a resposta estaria dentro desse intervalo. 

Então, considerando uma distribuição normal, é possível, a partir de uma pequena amostra da população, coletar informações sobre o pensamento da população como um todo, num intervalo de 95% de confiança, a partir de um desvio-padrão previamente determinado. No caso das pesquisas eleitorais, normalmente entrevista-se entre 2000 e 3000 pessoas, no país todo. Na última pesquisa do Datafolha, foram entrevistadas 9000 pessoas, mas é uma exceção. O desvio-padrão é da ordem de 1,5%. Por isso, ao anunciar os dados da pesquisa, sempre se afirma que ela tem 95% de confiança e o valor pode variar de ±3,0% (que é 2 vezes o desvio-padrão). 

Considerando o exposto, numa cidade como Paulista, com 200 mil eleitores, serão entrevistados, por amostragem, 5 ou 6 eleitores, no máximo. Pode acontecer até de ninguém ser entrevistado nessa cidade, pois podem ser amostradas pessoas de cidades que estejam numa mesma macrorregião que a nossa, com características semelhantes. E, portanto, sem invalidar o resultado. Por isso, é tão difícil que eu, você ou algum amigo próximo seja entrevistado nessas pesquisas, pois somente 5 eleitores seriam entrevistados em um universo de 200 mil, ou seja 1 indivíduo entre 40 mil. 

Mas, a eficiência das pesquisas, usando esses conceitos, só pode ser considerada nas disputas majoritárias - Presidente, Governadores, Senadores e Prefeitos. Nas disputas proporcionais, essas pesquisas não podem ser empregadas, pois os eleitos, na maioria das vezes, têm votação da ordem de 3% dos votos, que é exatamente a margem de erro das pesquisas. Sem falar que nem sempre o mais votado consegue ser eleito, pois é preciso verificar o quociente eleitoral. Mas, falaremos sobre quociente eleitoral em outro texto.

Outra variável importante na pesquisa eleitoral é o tempo entre a pesquisa e o dia da eleição. A vontade do eleitor pode mudar frente às situações que lhes são apresentadas no dia-a-dia e, quanto mais próxima se aproxima a data da eleição, maior é o interesse do eleitor pelo pleito, o que pode provocar mudança de opinião. É comum, quando o dia da eleição está muito distante, fazer pesquisa para identificar temas de interesse do eleitor e usar isso na campanha para mudar a intenção de votos. Esse tipo de levantamento de dados é chamado de pesquisa qualitativa. Enquanto a pesquisa de intensão de votos, propriamente dita, é chamada de pesquisa quantitativa.

Pois bem, desejo a todos um pleno exercício da cidadania e que todos possamos contribuir para a construção de um país melhor!

Prof. Rinaldo Bola

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